Torcemos pelo Brasil.
Não pela Seleção, mas por esse território gigantesco que a nossa convenção coletiva decidiu imaginar como pátria. A emoção que sentimos é o desejo do triunfo enquanto nação.
É que a taça representaria, a vitória dos sonhos comuns. E é por isso que um europeu vibra diferente por seu time ou porque são incapazes de entender a catarse brasileira com as premiações internacionais dos filmes “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”.
Não é sobre futebol, muito menos sobre cinema.
Amamos esse país que nem sabemos o que é.
E, como diria Vinicius de Moraes, temos vontade de “passar-lhe as mãos pelos cabelos”. Queremos que todos nos olhem. Que conheçam nossas histórias, sambem a nossa música, vibrem com nossos dribles.
E queremos ganhar tudo para compensar o quase nada que pensamos ter. Porque, além da vitrine para o mundo, queremos, ao menos uma vez na vida, sentirmo-nos grandes.
Sentimos injustiça com a vitória da Noruega porque eles tem quase tudo, nós achamos que não temos nada, mas o que temos é muito — um povo que, apesar dos pesares, acredita em si mesmo. Hoje todos os brasileiros estão tristes. Se nota nos semblantes daqueles que cruzamos em filas de supermercado ou nas ruas.
O dia parece ter esmaecido, e há silêncio ao redor. Que bom.
Isso significa que Nelson Rodrigues errou, e os que tem espírito de vira-latas são poucos.
Para terminar, Vinicius: “Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: / Não sei. De fato, não sei / Como, por que e quando a minha pátria / Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água / Que elaboram e liquefazem a minha mágoa / Em longas lágrimas amargas. / Vontade de beijar os olhos de minha pátria”.
A nossa pátria
Crônica por Kalil de Oliveira




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