Poema de Marques Casara

Ilustração por Isadora Alves

Não sei se houve ou se sonhei teu cheiro,
um pouco de ar um pouco de febre

Como se a pele ainda lembrasse

Depois, o poema perdeu corpo
pediu menos

E findou
como findam certos vestígios

Ao entardecer,
apago meus poemas
o que escreveram em mim

Não por rigor nem por beleza
mas porque não suportam existir

E o que não cede
não seria poema

Marques Casara

Poeta e jornalista, formado na UFSC em 1992. Sua escrita nasce da falta, do excesso, do corpo, daquilo que não encontra repouso na linguagem. Escreve como quem pressente que viver talvez seja apenas isso: demorar-se no que estremece.

Isadora Alves

Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e apaixonada por quadrinhos.

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