Ayana Araújo

A Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebe a exposição “Moradia Digna”, da artista Maria Esmênia Ribeiro Gonçalves, com curadoria de Meg Tomio Roussenq. A mostra ficará exposta até 11 de abril. Iniciado em 2017, o projeto faz uma crítica à exclusão social das pessoas em situações de rua, denunciando a falta do direito à cidadania, saneamento básico, educação, saúde, cultura e trabalho.
Professora aposentada da UFSC e atuante na área de educação, Maria Esmênia começou a trabalhar com arte visual após sua aposentadoria. Atualmente, é vice-presidente da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos de Santa Catarina (Acap).
Ela utilizou de um diálogo que teve com uma pessoa em situação de rua de Florianópolis para criar os núcleos de seu projeto. Ao ser questionado pela artista quais seriam os seus sonhos, José (nome fictício) respondeu que tinha três sonhos: um prato de comida, uma cama e uma casa.
A partir dessa resposta, Maria trabalhou diversas séries de obras representando esses núcleos: a cama de papelão amarrada com cobertores, para demonstrar a condição em que dormem essas pessoas; a banana, representando a comida e banalização da vida; o prato vazio nas aquarelas da exposição, simbolizando a fome; os livros grudados com cimentos, mostrando o não acesso a educação.
Outra série da exposição, “Os fantasmas”, demonstra que as pessoas em situação de rua são ignoradas enquanto indivíduos e seres humanos. Já na série chamada “A Casa”, são apresentadas duas fotos de uma possível casa e uma onde a pessoa está com as mãos amarradas, simbolizando que ela não tem como sair daquela situação. Segundo a artista, a falta de políticas públicas faz com que seja extremamente difícil que uma pessoa em situação de rua consiga sair dessa situação.
Maria Esmênia relata que é importante que um assunto como este seja abordado e exposto na universidade, a fim de sensibilizar e alertar sobre o tema. “Enquanto professora universitária, cobro a mim essa responsabilidade de falar sobre o assunto. Meu objetivo é levar para dentro da universidade essa situação”, explica a artista. Ela destaca que, embora saiba que esse problema não será resolvido imediatamente, “se as pessoas se sensibilizarem, amanhã elas podem dar um depoimento, fazer uma matéria e batalhar por políticas protetoras ou incentivadoras de solução do problema”.
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