“Donnie Darko”: Coelhos, efeito borboleta e o fim do mundo

O clássico cult aborda questões existenciais em um cenário de viagem no tempo

Luana Consoli

O filme, lançado em 2001, foi a estreia de Richard Kelly como diretor. (Foto: Reprodução/Pandora Filmes)

Se você não gosta de terror, mas quer se aventurar em thrillers, Donnie Darko é a dose perfeita entre o suspense e o macabro. Sem muitos sustos, a ansiedade é crescente devido ao roteiro fragmentado, que nos deixa no escuro sobre o que realmente está acontecendo, e também às expressões de Donnie, que beiram o diabólico. É claro, o grande coelho sinistro, Frank, também contribui para alguns momentos de tensão.

28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Donnie Darko (Jake Gyllenhaal), um adolescente nada tranquilo, recebe por meio de Frank a informação de que o mundo vai acabar neste exato tempo. E que bom que Frank faz este aviso! Não fosse o coelho sinistro atraindo Donnie para fora de casa, este teria sido esmagado por uma turbina de avião que caiu em seu quarto. De onde ela veio? O mistério acompanha a narrativa, já que o avião não é encontrado.

A trama se divide entre os dias que antecedem o premeditado fim do mundo. Conhecemos, logo de cara, a família de Donnie. Pai, mãe e duas irmãs que teriam tudo para protagonizarem um comercial de margarina, não fosse — é claro — o passado conturbado de Donnie, o filho do meio.

O filme, escrito e dirigido por Richard Kelly, que na época tinha apenas 26 anos, se aprofunda na mente deste adolescente. Logo de cara, entendemos que Donnie não está nada bem. Para além das visões com Frank, somos levados a acompanhar o protagonista nas sessões de terapia. Nesses momentos, guiados pela Dra. Lilian Thurman, os diálogos são aproveitados não somente para explicar o que perturba Donnie, mas também para revelar o que não está tão à mostra durante as cenas.

Durante toda a narrativa, somos instigados a pensar em três fatores: destino, livre arbítrio e morte. Tudo isso sob a ótica da viagem no tempo, inserida no longa pelo personagem do coelho Frank. O filme em si trata de um paradoxo filosófico: se pudéssemos viajar no tempo, poderíamos alterar o futuro? Ou nossas ações são predestinadas por forças externas?

O coelho aparece para o protagonista por meio de uma série de “visões” e situações paranormais. (Foto: Reprodução/Pandora Filmes)

A materialização dos destinos é representada por um tubo com aspecto de gosma que sai do peito dos personagens e age como uma corda, que puxa e induz à ação. Por conta disso, temos indícios de que tudo o que estamos vendo é um efeito borboleta. Donnie, em nenhum momento, se atreve a desviar dessa linha. Ele a segue fielmente, seja quando a materialização surge ou quando Frank a representa.

Talvez o adolescente esteja sendo guiado pelo medo, mas, como ele mesmo fala durante o filme, as ações humanas sofrem interferência de sentimentos diversos e complexos. Talvez seja apenas um senso de heroísmo que compele o protagonista a seguir com a sua linha de curso. Afinal, mesmo com a admissão de que teme morrer sozinho, ele abraça seu destino.

Não existe ainda uma explicação oficial sobre a trama. As teorias, por outro lado, são múltiplas. Isso torna, por fim, o filme tão instigante e divertido: a escolha e interpretação própria do espectador.


Luana Consoli

Redatora, fã de terror e romance, mãe de pet e estudante de jornalismo pela UFSC nas horas vagas.

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