Isabelle Fudal e Rafaela Azevedo

“Nós mostramos o mundo, um desenho de cada vez” é o lema do Urban Sketchers, movimento global formado por artistas em sua maioria, amadores. Conhecidos como ‘sketchers’, eles se reúnem mensalmente para registrar paisagens urbanas e cenas cotidianas por meio de desenhos feitos à mão. Fundado em 2007 pelo jornalista e ilustrador espanhol Gabriel Campanario, o projeto começou como uma comunidade online voltada para o compartilhamento de ilustrações da cidade de Seattle, nos Estados Unidos.
Em pouco tempo, o USk se expandiu e passou a alcançar todos os continentes, “colecionando” mais de 1200 membros ao redor do mundo. Hoje, cenários de 477 cidades, localizadas em mais de 70 países servem de inspiração para os desenhistas. No Brasil, o projeto foi inicialmente estabelecido na cidade de São Paulo, em 2011. Desde então, outras regiões do país aderiram ao movimento.
Em 2016, ocorreu o primeiro encontro em Florianópolis. Os participantes se reuniram para registrar o Mercado Público, cartão postal localizado no centro da cidade. Outros cenários da Ilha de Santa Catarina, como a Praia das Palmeiras, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa e o Casarão do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) já foram rascunhados sob o olhar dos desenhistas.
Confira os lugares desenhados pelos Urban Skecthers Florianópolis:
Ivan Jerônimo,
um dos organizadores do USk na cidade
A gente já está com uma boa quantidade de locais desenhados e ainda falta muito local para desenhar na cidade.
Em 21 de setembro, os sketchers realizaram seu 108º encontro na capital catarinense, no qual recriaram à mão livre os casarios luso-açorianos do Canto dos Araçás, na Lagoa da Conceição. O local foi sugestão de participantes e fez parte da programação da 10ª edição do Festival Viva a Lagoa. Para escolher os lugares retratados, os coordenadores têm alguns critérios. “A gente fica de olho pela cidade. Quando ficamos sabendo de algum imóvel que vai ser demolido ou tem um valor arquitetônico histórico. Coisas curiosas também são condições para as escolhas”, conta Ivan.


Carol Grilo é uma ‘sketcher’ desde 2018. Para ela, o projeto proporciona uma fuga da rotina dos desenhos que faz como arquiteta. “Eu comecei a querer soltar mais o meu desenho. A treinar mais o desenho de observação e desenhar realmente o que eu estou vendo”. Além da prática do desenho individual, a ação possibilita o compartilhamento de ideias e técnicas entre os membros.
Carol Grilo,
participante do USk em Florianópolis
Tem essa troca de um gostar de usar aquarela, outro de desenhar com lápis, tem diferentes materiais. Eu acho legal olhar o outro, a gente aprende também com isso.
Há cinco anos, Karine Palhano da Silva ingressou no grupo, movida pela paixão pelo desenho. “Na época, eu tinha 16 anos e não possuía a técnica que o resto do pessoal tinha. Hoje em dia, acho que é muito mais divertido.” Embora não more mais em Florianópolis, ela participa dos encontros sempre que possível e o que mais a encanta são as trocas de vivências. “Esse contato com outras pessoas que também gostam de desenhar nos permite ver o trabalho de quem tem mais experiência. Eu acho que é uma influência boa”, relata a jovem.




Informações sobre as saídas são divulgadas na página do Instagram do Urban Sketchers Florianópolis. O 110º encontro ocorre neste sábado (9), das 13h30 às 16h. O local escolhido para ser retratado pelos sketchers é o Antiquário Toque Antigo, localizado na rua Fernando Machado, no Centro. Os sobrados da região, que ao longo do século XX foram abandonados por moradores, hoje abrigam pequenos comércios como bares, restaurantes e o ponto de encontro dos sketchers, o Antiquário.
Publicado no portal Se Liga, Mané! em 15/10/24
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