Nan Honório

All That Jazz, ou O Show Deve Continuar, no Brasil, é um drama musical estadunidense lançado em 1979, dirigido por Bob Fosse. A trama gira em torno do coreógrafo e diretor Joe Gideon, vivido por Roy Scheider, e sua intensa dedicação à produção de um novo filme e espetáculo. Fora dos palcos e das câmeras, o protagonista busca refúgio no álcool, no cigarro e em relacionamentos com várias mulheres, encontrando dessa forma equilíbrio em meio à pressão constante de sua carreira.
A obra retrata os bastidores do Show Business, revelando o impacto exaustivo que essa vida pode ter sobre a esfera pessoal, além de demandar perfeição absoluta em cada produção. Isso fica evidente à medida que Gideon adoece progressivamente e, ao ouvir de seu médico que deve se afastar dos espetáculos, ele se preocupa mais com a perda de controle sobre o show do que com sua própria saúde.
O filme também explora a complexa relação de Joe com suas ex-esposa, namorada e filha, mostrando como ele as envolve no universo da arte, ao mesmo tempo em que pouco dedica seu tempo a elas. A dualidade entre a influência de Joe no desenvolvimento artístico das duas mulheres e criança e a falta de atenção com suas vidas pessoais ressalta o impacto conflituoso de sua carreira sobre seus relacionamentos mais próximos.
Uma outra mulher que tem grande papel na história de Gideon é Angelique, interpretada por Jessica Langue. Essa personagem representa o papel da morte, no corpo de um ser humano com rosto angelical. Isso diz muito sobre a situação de Joe, que é fortemente conhecido como “mulherengo” e não mostra nenhum medo da morte até ela de fato chegar. Na verdade, ele mostra-se pronto a ela e tem até vontade de “a conhecer”.
Durante a produção do longa de Gideon, uma cena repete-se diversas vezes: a que relata sobre os estágios da morte. É extremamente interessante a forma como esse monólogo se relaciona com a situação do protagonista ao final da trama, que passa por todas as fases até chegar ao estágio final: a aceitação. Essa conformação é mostrada em forma de performance, a qual fica conhecida como “a última performance de Joe Gideon”. O artista apresenta-se de forma alegre, mesmo com a letra da música mostrando sua tristeza em estar sozinho.
Isso evidencia duas situações: mascarar a infelicidade e individualidade quando trabalha-se no mundo artístico e mostrar que o luto, ou o sentimento da morte, não precisa ser algo positivo para ser aceito.
All That Jazz é uma obra que, em momentos específicos, é composta por cenas de apresentações de dança e canto, principalmente nos momentos de tensão, como o processo de morte de Gideon. Novamente, isso relaciona-se com “mascarar” as situações mais complicadas da vida quando se está no mundo artístico. A obra semi-biográfica de Bob Fosse acerta em fazer suas críticas, na construção de cenas e na trilha sonora, condizente com a trama, fazendo valer seus prêmios e boa reputação no ambiente cinematográfico.
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