Por Letícia Barros

O Morro do Mocotó e o Monte Cristo, comunidades periféricas de Florianópolis, muitas vezes aparecem na mídia somente através de notícias negativas. Por isso, o jornal independente Desterro resolveu mudar essa visão. Em parceria com a Associação de Amigos da Casa da Criança e do Adolescente do Morro do Mocotó (ACAM) e o Centro de Educação Popular do Monte Cristo (CEDEP), o jornal organizou a exposição “Favelagrafia: a comunidade pelos olhos de quem a vive”, criada pela perspectiva de crianças e adolescentes.
Favelagrafia estreou no Centro Integrado de Cultura (CIC) em 17 de setembro e fica aberto até 27 de setembro, próximo domingo, das 10h às 21h. Essa é a segunda edição do projeto e traz como novidade a parceria com o CEDEP. Em ambas edições os jovens são os protagonistas. Utilizando do que aprenderam nas oficinas de informática, museologia e fotografia- essa ministrada pelo Desterro, eles saíram pelas comunidades para registrar o seu mundo.

Além das fotos, outros elementos compõem a exposição, como uma coletânea de desenhos feitos pelas crianças mais novas. Elas tinham de desenhar o que viam pela janela de casa e responder algumas perguntas guias: “e se a janela fosse mágica?” e “se você tivesse a oportunidade de mudar algo no mundo, o que faria?”. “Queria ver um arco-íris e ver se no fim dele tem mesmo o pote de ouro”, “Olho para rua e fico com raiva” e “Queria que Jesus aparecesse na minha janela para eu pedir para não vir o El Niño”, estão entre algumas das respostas.

Nos dias 17 e 18 de setembro, as crianças e adolescentes do CEDEP e da ACAM visitaram a exposição. Para Gabriele Oliveira, diretora do Desterro, a impressão mais bonita que a visita dos jovens deixou é o quão naturalizado isso é para eles. “Eu acho que eles nem tem dimensão, por isso falo o quanto é importante que agressões e violências não os atinjam e que para eles a exposição seja uma coisa natural”.

O Desterro enfrentou algumas dificuldades com outros projetos que também aconteciam no CIC nos primeiros dias de exposição. Segundo Gabriele, uma oficina de arte se incomodou com o Favelagrafia por meio de olhares e palavras. Contudo, a jornalista aponta que tudo já foi resolvido e a administração do CIC foi solícita em todo momento. Entramos em contato com a oficina de arte, porém ainda não obtivemos retorno. “A gente percebe esse incômodo, porque estamos em uma das maiores salas do CIC e trazendo crianças da periferia para ver a exposição”, diz Gabriele.





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