Moda de festival: looks unem conforto, identidade e expressão no ARVO

Por Amanda Kovalczykovski

Rubia Espindola e Amanda Louise no ARVO 2026. Foto Amanda Kovalczykovski

O Caderno Cultural Expressões esteve na 10ª edição do ARVO, festival que se firmou como um dos maiores do Sul do Brasil e que une experiências focadas nos pilares da cultura e sustentabilidade. Com ingressos esgotados, milhares de pessoas compareceram ao Kartódromo Sapiens Parque no sábado, 16 de maio, para assistir grandes nomes da música brasileira em um dia de confraternização e apresentações especiais.

Nossa equipe esteve acompanhando não apenas os shows e a movimentação do público, mas também uma parte importante da experiência dos festivais: os looks. Mais do que assistir às apresentações, ir a um festival de música também virou forma de ocupar espaço, experimentar estilos e comunicar referências pessoais. Entre o calor, a chuva, as longas horas em pé e a busca por boas fotos, a escolha da roupa precisa equilibrar estética, conforto e praticidade.

Nos últimos anos, os festivais se consolidaram como vitrines de tendências. Peças utilitárias, acessórios marcantes, modelagens amplas, jeans, crochê, tricô, couro e referências ligadas aos artistas passaram a compor uma espécie de “uniforme não oficial” desses eventos. Sendo assim, os festivais se tornaram momentos de experimentação fashionista, mas sem abrir mão do conforto, já que costumam envolver deslocamento, filas, grama, terra e muitas horas de programação.

Jahir Macedo ARVO 2026. Foto Amanda Kovalczykovski

Entre as principais apostas observadas nesse universo aparecem as estampas étnico-culturais. Elas costumam surgir em batas, saias, lenços, calças amplas e acessórios, trazendo referências visuais ligadas a diferentes territórios, tradições e símbolos culturais. Nesse caso, a escolha também pede atenção: mais do que usar uma estampa por estética, é importante reconhecer sua origem e evitar o uso esvaziado de elementos que carregam significados culturais específicos.

Rubnelia Vicência e amigas na décima edição do ARVO. Foto Amanda Kovalczykovski

Outra tendência forte é o street style. Calças cargo, bermudas largas, camisetas oversized, bonés, tênis robustos e pochetes aparecem como escolhas funcionais e estilosas. Lojas de moda como a Youcom, referência nesse estilo, apontam que o jeans segue como peça essencial para festivais, justamente pela versatilidade, pelo conforto e facilidade de combinar com diferentes propostas de visual. Outra aposta é a calça cargo, associada ao universo dos festivais por unir visual despojado e praticidade, especialmente por causa dos bolsos e da modelagem utilitária.

Hugo Santos ARVO 2026. Foto Amanda Kovalczykovski

O feito à mão também ganha espaço. Peças de crochê e tricô aparecem em tops, saias, vestidos, blusas e acessórios, criando uma estética artesanal que dialoga com o clima de liberdade dos festivais. Em tendências mais recentes, o crochê e o tricô são associados ao chamado “brasilcore”, com peças coloridas, artesanais e cheias de referências ao verão e à brasilidade.

Letícia Aro ARVO 2026. Foto Amanda Kovalczykovski

Além das roupas, muitos fãs também usam o festival como oportunidade para se aproximar visualmente dos artistas que vão assistir. Cores ligadas à identidade visual de álbuns, camisetas de bandas, lenços, óculos, maquiagem e acessórios ajudam a construir uma conexão entre público e palco. Em alguns casos, o look deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a funcionar como forma de pertencimento a uma comunidade de fãs.

Na contramão das cores vibrantes, o all black e o couro continuam como escolhas certeiras para quem prefere uma produção mais urbana, noturna e marcante. Jaquetas, coturnos, saias e calças resinadas criam uma estética ligada ao rock, ao pop alternativo e à moda de rua. A proposta combina impacto visual e praticidade, principalmente quando acompanhada de calçados confortáveis.

Milena Gomes ARVO 2026. Foto Amanda Kovalczykovski

E conforto, aliás, segue sendo palavra-chave. Uma dica que atravessa o tempo é evitar saltos altos. Festivais costumam envolver grama, terra e longos períodos em pé, por isso opções como tênis, botas, coturnos, rasteiras e até galochas em dias de chuva são mais seguras para aproveitar o evento.

No fim, o look ideal para um festival não depende apenas da tendência, mas da experiência que cada pessoa quer viver. Entre estampas culturais, peças artesanais, street style, couro, jeans ou referências aos artistas favoritos, a moda de festival mostra que vestir-se também pode ser uma forma de participar do espetáculo. No Arvo, essa expressão apareceu nos detalhes: nas cores, nos acessórios, nas sobreposições e nas escolhas que transformaram o público em parte da própria estética do festival.

Amanda Kovalczykovski

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonada por livros, histórias e música que atravessam pessoas e lugares.

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