Por ibrahim Khan

Em uma manhã de garoa, espátulas rasparam os cartazes de um ponto de ônibus próximo à reitoria no campus Trindade na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O vídeo dessa intervenção, ocorrida no último domingo de abril, circulou nas redes sociais e, no dia seguinte, viralizou. Políticos e influenciadores da direita conservadora e liberal da cidade louvaram a ação e declararam apoio aos envolvidos, e o episódio se tornou uma pequena amostra de como se trava atualmente a disputa política na universidade.
O vídeo inicia com o líder do movimento estudantil Direita UFSC, Welton Rodecz, em frente ao ponto de ônibus, vestindo uma blusa preta estampada com o nome do grupo. Ele anuncia que aquela era apenas a primeira ação. “Agora é um novo tempo, uma nova era para a UFSC. Nova reitoria, e a gente também vai começar com várias ações”, diz Welton, que é formado em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e agora é aluno do Curso de Economia e mestrando em Direito na UFSC, além de residente do Ministério Público de Santa Catarina.

Não havia somente estudantes no dia em que removeram os cartazes. Entre os participantes também estava Rafael Ary, professor do Departamento de Artes da UFSC e presidente do diretório municipal do Partido Novo em Florianópolis. “Isso aqui é a oportunidade de criar uma nova cultura aqui na UFSC”, afirmou Ary no vídeo. Os cartazes retirados traziam anúncios de serviços diversos, de locação de imóveis e de atividades de movimentos estudantis.
Figuras públicas também repercutiram a ação. O empresário Luciano Hang, que possui mais de 8 milhões de seguidores no Instagram, compartilhou o vídeo em seu perfil. O deputado estadual Sargento Lima (PL) parabenizou a ação durante discurso na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Somados, os vídeos sobre o episódio nos perfis citados ultrapassam hoje meio milhão de visualizações.
A mobilização digital aparece como a principal estratégia adotada pelo grupo Direita UFSC. Em seu perfil no Instagram, hoje com cerca de 32 mil seguidores, as publicações variam entre memes, críticas e vídeos produzidos por aliados. “Hoje a gente tem uma arma muito poderosa, a rede social”, diz Welton.

Alianças pragmáticas e pressão sobre adversários
Por trás das redes sociais, o Direita UFSC reúne estudantes de diferentes vertentes da direita e mira espaços institucionais dentro da universidade. “A gente vai tomar o DCE e botar ordem na casa”, afirma o líder Welton Rodecz. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) é a principal entidade de representação estudantil da UFSC, e historicamente concentra disputas entre diferentes correntes políticas dentro da universidade.
Diferenças partidárias e tendências ideológicas costumam fragmentar o movimento estudantil, mas o Direita UFSC busca a convergência entre grupos concorrentes. “Aqui dentro a gente tem um inimigo em comum. Não vai ter briga por política eleitoral”, diz Welton. A perspectiva é compartilhada por aliados do movimento. “O grande mérito foi ter focado naquele núcleo de coisas que todos concordam e que não vai dar briga, como a pauta da Polícia Militar (PM) no campus”, afirma o professor Ary, referindo-se à proposta de maior presença e atuação da PM dentro do campus da UFSC.

Essa articulação agrega perfis variados, do liberalismo partidário ao conservadorismo alinhado com o bolsonarismo. Welton, por exemplo, gosta de citar o filósofo Maquiavel e apresenta como principal inspiração política nomes como Michel Temer, Valdemar da Costa Neto e Pablo Marçal. “Eu estudei a biografia do Michel Temer, desses políticos que trabalham muito nos bastidores. Só que daí eu estou ligando bastidores às eleições, ao fenômeno de engajamento do Pablo Marçal. Vai ser único o que a gente está fazendo aqui”, diz.
Entre os aliados também está o estudante do curso de Design Yuri Pantar, fundador do Núcleo Rothbard de Estudos em Escola Austríaca (Nurea), projeto de extensão voltado à difusão do libertarianismo e da escola austríaca. Ambas as correntes defendem mínima ou nenhuma intervenção estatal na economia e na vida social. “O Nurea é um aliado nosso, eles trazem muito voto”, diz Welton.

O núcleo já promoveu palestras na universidade com o influenciador Paulo Kogos e a deputada federal Julia Zanatta (PL). O Direita UFSC divulgou os eventos nas suas páginas na rede e participou de uma das ocasiões com uma fala sobre a situação política universitária. Yuri avalia que o movimento reúne diferentes vertentes da direita. “Apesar de não serem libertários, eles [Direita UFSC] não têm uma ideologia específica, eles são a aglomeração da direita. Qualquer coisa que seja de direita está com eles”, diz.

O apoio externo inclui influenciadores e políticos de diferentes partidos, como Bruno Souza (PL) e Felipe Barcellos (Missão), que publicam vídeos críticos à universidade e ao movimento estudantil. “Eu quero a sociedade catarinense inteira olhando para a UFSC, se tem vigilância, eles começam a se comportar”, diz Welton, ao defender a exposição pública de conflitos dentro do campus.

Essa estratégia obtém resultados. No dia seguinte ao ato realizado no ponto de ônibus, novos cartazes foram colados no local convocando estudantes para uma reunião aberta sobre organização política e formação de uma chapa para o DCE. Um estudante que afirma ter participado da colagem diz ter sido exposto nas redes e relata ter recebido ameaças após a repercussão. “Sim, fui eu que colei. Recebi ameaças depois”, afirma sob condição de anonimato.
A judicialização também aparece como tática adotada nas disputas envolvendo o grupo. Ao comentar a exposição de opositores nas redes sociais, Welton afirma que está disposto a reagir judicialmente a contestações. “Se quer processar no civil, beleza, vai lá. Mas aí a gente vai te processar no criminal”, diz. Para críticos do movimento, a estratégia funciona como forma de intimidação. “É uma tática de medo, eu mesma já sofri um processo administrativo movido por eles”, relata uma estudante que pediu para não ser identificada.
Nas eleições para a reitoria, grupo de direita ensaiou sua primeira disputa institucional
Em publicação feita no dia 12 de abril, o Direita UFSC abordou o segundo turno das eleições para a reitoria, em que se enfrentavam as chapas dos candidatos Amir Oliveira e Irineu Souza. Na postagem, o movimento expressou apoio a Amir com uma estética institucional ao retratar sua chapa, e recorreu a uma linguagem humorística e crítica a Irineu e sua candidatura. Welton Rodecz afirma que a estratégia passa pela construção deliberada de narrativas. “A gente também mexe com narrativa, quando tem alguma coisa a gente inflaciona mais, por isso que chamam de sensacionalismo. É óbvio. Política é sensacionalismo”, afirma.

O professor Rafael Ary também expressou publicamente apoio à chapa de Amir. “Vou ser direto. Se você quer melhoria, a única opção é votar na chapa de oposição”, disse Ary em vídeo republicado pelo Direita UFSC. Outro apoiador foi o ex-deputado estadual Bruno Souza. “Eu nem conheço a chapa que está concorrendo contra esses comunistas, mas só por não fazerem esse papelão, já teriam meu voto”, disse o ex-deputado estadual ao se referir a uma mobilização promovida pela chapa de Irineu, em que os apoiadores abanavam leques em frente à reitoria. Bruno não vota nas eleições para reitoria da UFSC, por não integrar a comunidade universitária.
No dia do resultado das eleições, 15 de abril, como comemoração à vitória da chapa de Amir Oliveira, o Direita UFSC compartilhou uma imagem, gerada por Inteligência Artificial, em que o candidato eleito aparece armado, com a legenda “Finalmente um reitor com mais de mil de testo!!!”, referindo-se ao suposto nível de testosterona do vencedor. Amir não se manifestou sobre o apoio recebido, porém defende algumas propostas convergentes às do grupo, como a maior presença da PM no campus.

Welton diz ter tido contato com a chapa do Amir. “Eu até falei para eles, quando eles estavam para vencer. Falei para a Felipa, que é a vice, ‘eu tomei as quatro doses tá? Não se preocupe, não sou contra vacina e não rezo para pneu’”. Ele se referia ao comportamento antivacina compartilhado por parte da direita durante a pandemia, e ao episódio em que alguns bolsonaristas fizeram orações ao redor de um pneu em 2022. O Caderno Expressões procurou Amir e Felipa para que falassem sobre o caso, em resposta a chapa enviou a seguinte nota:
“Nossa conduta ao longo de toda a campanha foi muito explícita e transparente, no sentido de defender uma mudança de gestão com a defesa da ciência, da Universidade pública, gratuita e socialmente referenciada. Os apoios e manifestações em favor da candidatura são de responsabilidade de seus autores. O que se viu nas eleições foi que mais de 70% da comunidade defendia a mudança e a transformação na gestão da UFSC. De nossa parte reiteramos que será uma gestão séria, transparente e responsável, sem abrir mão das questões mais sensíveis e fundamentais para a instituição.”
Ao ser perguntado sobre a influência que o movimento Direita UFSC teve nas eleições, Welton avalia: “Sem os nossos votos, talvez eles teriam perdido, bem mais da metade são nossos, o Centro Tecnológico (CTC) votou em peso”. Amir venceu as eleições com 8.214 votos, dos quais 6.405 eram estudantes. O grupo reivindica protagonismo no resultado, mas não há dados que permitam medir o impacto direto da mobilização.
“Isso é uma falsificação da realidade, a chapa do Amir ganhou força no segundo turno devido à alta rejeição a Irineu e, em parte, ao apoio da Joana”, diz Matheus Martins, estudante do curso de Ciências Sociais e membro do Juventude Comunista Avançando (JCA). Joana Célia dos Passos era a vice-reitora de Irineu durante a gestão passada, ela e outros aliados saíram da gestão motivados pela insatisfação com o ex-reitor. Nas eleições recentes, compuseram uma chapa liderada por João Luiz Martins e Luana Heinen, eliminados da eleição no primeiro turno.

Direita estudantil não é novidade na UFSC, o que mudou foi a estratégia
A tentativa de organizar uma direita estudantil na universidade não é inédita. A chapa Zero, por exemplo, concorreu ao DCE da UFSC em 2017 e 2018 e, apesar das derrotas, garantiu duas cadeiras no Conselho Universitário (CUn). A proposta, porém, seguia outra lógica: o grupo rejeitava qualquer apoio formal de agentes políticos externos. “Sem qualquer tipo de vínculo ou apoio partidário. Essa era nossa cláusula-pétrea”, afirma Pedro Nunes, um dos fundadores da chapa.

O contexto digital também era outro. Entre 2016 e 2018, a articulação do grupo na internet acontecia pelo Facebook, em um cenário de transição entre a mobilização tradicional e a organização política nas redes. “A gente pegou bem essa transição. Na época a gente criava memes para se comunicar com os estudantes, deu bastante certo”, relembra Taylana Ramos, ex-conselheira universitária eleita pela chapa Zero.
Fora de Santa Catarina, experiências semelhantes já haviam conquistado mais espaço. Na Universidade de Brasília (UnB), o grupo liberal Aliança pela Liberdade assumiu o DCE em 2011 e acumulou sucessivas eleições. “Nunca houve um apoio político explícito externo”, afirma André Costa, ex-integrante do grupo. Segundo ele, a capacidade de diálogo com adversários era o ponto principal da gestão, “Sempre fomos diplomáticos e sabíamos articular com a oposição. A gente sabia escutar e propor”, diz.
Experiências liberais no movimento estudantil perderam a força a partir de 2020. Taylana Ramos, Pedro Nunes e André Costa veem a pandemia como um dos principais fatores de desmobilização entre os estudantes. “A gente vinha conquistando mais espaço, mas daí veio a pandemia e a chapa morreu”, afirma Taylana. Anos depois, o Direita UFSC surge em um contexto político e digital distinto.
Apesar dos paralelos, há diferenças fundamentais na forma de organização. Taylana avalia que a estrutura do Direita UFSC parece mais centralizada que as experiências anteriores. “É só um palpite, mas eu acho ele [Welton Rodecz] centralizador demais”, diz. A percepção se reflete no número de membros das chapas entre os dois movimentos. Segundo Pedro Nunes, as nominatas na chapa Zero ultrapassavam 100 estudantes, enquanto a composição que o Direita UFSC tentou inscrever para as eleições do DCE deste ano contava 28 nomes. Outro ponto é como Welton descreve a organização interna. “A gente administra em cinco pessoas a página, e 100% do que for publicado tem que passar por mim”, afirma.
Direita UFSC tenta participar da corrida eleitoral ao DCE, mas chapa é impugnada
As eleições para o DCE da UFSC estão marcadas para 26 e 27 de maio. Cinco chapas se inscreveram, quatro delas foram homologadas e a outra, chamada Operação Resgate e composta por membros do Direita UFSC, foi impugnada. A justificativa se deve ao descumprimento de dois artigos do regimento eleitoral, o art. 4°, que especifica elegibilidade apenas aos estudantes de cursos presenciais, e o art. 17°, que estabelece uma proporção mínima de cotas representativas na composição das chapas.
O movimento entrou com um recurso para que o Conselho de Entidades de Base (CEB), composto pelos Centros Acadêmicos (CAs) da universidade, reconsiderasse a homologação da chapa. O pedido foi recusado. Dos 22 CAs que compareceram à sessão do CEB, 21 votaram na impugnação e apenas um foi contrário a ela, o Centro Acadêmico de Agronomia (CAAgro), único curso presente que não está sediado no campus Trindade, que é o epicentro político da UFSC.
O presidente do CAAgro, João Rossi, saiu às pressas ao final da sessão. Quando perguntado sobre o descumprimento dos critérios do regimento eleitoral, ele reconheceu a contradição. “Sim, o regimento foi votado nas sessões do CEB e aprovado, mas nós [CAAgro] consideramos que eles [Operação Resgate] deveriam ter a chance de concorrer”, disse. João Rossi representa um dos CAs que é simpatizante ao Direita UFSC. Quando Welton foi perguntado sobre o apoio de outros centros, ele afirmou que há outros e que, assim como o CAAgro, estão localizados fora do campus Trindade, mas não entrou em detalhes sobre quais seriam esses outros centros.

Isadora Dymow, estudante do curso de Jornalismo e membra da Chapa 1, Ousadia pra Vencer, composta pelo movimento político Correnteza, braço jovem do Partido Unidade Popular (UP), criticou, durante o CEB, o recurso enviado. “A gente deveria estar discutindo as condições e melhorias para a universidade, mas estamos aqui reunidos para avaliar um recurso feito por um grupo que nem se deu ao trabalho de cumprir com o regimento. Só o nome da chapa já mostra que isso é uma provocação às entidades estudantis”, afirmou.
Matheus Martins, estudante do curso de Ciências Sociais e integrante da Chapa 2, A Nossa Luta é Agora, composta pelo JCA, Juventude Comunista Avançando (JCA) e pelo Afronte, movimento estudantil do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ressalta a legitimidade do regimento. “O documento foi construído democraticamente pelos CAs nas reuniões do CEB, que inclusive o CAAgro estava presente. Discordar do regimento é desconhecer das estruturas que o compõem”, diz.
A Chapa 3, Sindicato dos Estudantes, composta por militantes da Juventude Comunista Internacionalista (JCI), compartilhou uma nota no Instagram repudiando o regimento eleitoral de 2026. “A chapa defende a total reformulação do regimento eleitoral, pretendendo a garantia de um processo eleitoral verdadeiramente democrático”, diz a legenda da publicação. A chapa alega que o regimento eleitoral não deveria possuir validade pois o CEB atual representa uma parcela minoritária da comunidade estudantil. “Eu concordo 100% com o argumento deles, não sei quem são, mas ouvi que quem encabeça é um tal de Renan Santi. Não vou me posicionar sobre isso enquanto não tiver uma conversa com ele, que terei hoje inclusive”, disse Yuri Pantar ao ser perguntado sobre a nota.
“O Yuri Pantar é um imbecil”, diz Renan Santi, estudante do curso de Direito e membro da chapa Sindicato dos Estudantes. A fala de Santi se deve a uma desavença pessoal envolvendo membros de sua chapa e Yuri Pantar. “Ele entrou em contato comigo sim, mas ignoramos. Está tudo aqui se você quiser ver”, afirma, enquanto oferece o celular com o histórico de conversa aberto. “O Direita UFSC também entrou em contato, algo sobre judicializar o caso, mas também ignoramos. Não confiamos nas instituições jurídicas do estado burguês”, acrescenta.
A possibilidade de judicialização foi criticada por Matheus Martins. “Esse tipo de ação chega herdada da ditadura. Usar a estrutura que julga a seu favor para atuar nos próprios objetivos é um desrespeito às decisões democráticas”, afirma. Segundo ele, a disputa deveria ser feita no campo político e não no burocrático. “Eles possuem algumas pautas justas, como a transparência da prestação de contas do DCE e o maior detalhamento nas atas do CEB, mas não propõem o debate político. Instrumentalizam essas pautas em prol deles mesmos”, conclui.
Quando procurada, a Chapa 4, intitulada A UFSC que a gente quer e composta por militantes da União da Juventude Socialista (UJS), movimento ligado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), não respondeu às tentativas de contato do Caderno Expressões.
“Sim, as eleições serão judicializadas. Pretendo fazer tudo que estiver ao meu alcance para destruir essa gente antidemocrática”, afirma Welton. Ao ser perguntado sobre como esse processo seria feito, sob que base jurídica e quais as alegações, ele preferiu não responder, alegando ser cedo demais para falar. “Deveriam ter deixado a gente concorrer. Até tentaram me dissuadir de não fazer nada, pois isso poderia destruir o movimento estudantil que temos hoje. A nossa chapa está legal sim”, acrescenta.
Para Isadora Dymow, o grupo usa de uma narrativa inventada por eles mesmos para se vitimizarem. “Eles falam que são perseguidos, que o regimento eleitoral foi feito para acabar com eles. Nós também perdemos nomes na nominata, todas as chapas estavam sujeitas às mesmas regras, e só eles que não conseguiram? Parece algo deliberado”, diz. Isadora também reconhece a insatisfação estudantil com as condições da universidade como algo que pode ser explorado. “Muitos estudantes aqui na UFSC estão insatisfeitos com a universidade, e a direita instrumentaliza isso para conseguir poder. Mas, hoje, eles não são influentes internamente, podem possuir simpatizantes ideológicos, mas não há trabalho de base”, afirma.
Welton discorda da percepção de Isadora. Perguntado sobre as expectativas pessoais acerca do futuro do Direita UFSC, ele diz: “Esse projeto visa o longo prazo, nós não temos pressa, o nosso movimento vai vir para ser estruturado e isso vai nacionalizar”.





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