Em meio à epidemia de falta de criatividade em Hollywood, O Diabo Veste Prada 2 honra legado do primeiro

Não tão icônico quanto clássico, sequência digna de glamour deixa para trás muitas outras feitas apenas para lucrar



Lully Salvador

Créditos da foto: Reprodução / Disney

Depois de 20 anos, o icônico O Diabo Veste Prada ganha um sucessor  que traz aspectos atuais da área de jornalismo e desenvolvimento justo aos personagens. No primeiro filme o cenário era o triunfo do impresso e grande orçamento para produção de matérias e ensaios fotográficos. Já no segundo, os desligamentos de redações, cortes de orçamento, inteligência artificial e interferência de bilionários no mercado editorial são a nova realidade.

Hollywood parece viver uma epidemia de falta de criatividade. Os grandes estúdios têm apostado muito em remakes, live actions e sequências, aproveitando histórias que já deram certo para ganhar dinheiro. Porém, a sequência é surpreendentemente boa.

David Frankel, diretor do primeiro e do segundo filme, traz de volta os personagens icônicos em um mundo evoluído. Andy Sachs (Anne Hathaway) agora na tão sonhada carreira jornalística, retorna à revista Runaway. Antes ela se ocupava com a agenda da chefe, pegava seu café  e guardava seu casaco. Era assistente da icônica e temida Miranda Priestly (Meryl Streep). Agora, em meio a uma crise de imagem da revista, ela atua como editora-chefe de matérias especiais e fica responsável por melhorar a imagem da Runaway.

O longa explora o cenário do jornalismo atual, com a internet, inteligência artificial, cliques e engajamento guiando as escolhas. O questionamento que assombra os jornalistas hoje, “sua matéria é importante, mas ela é clicável?”, recai sobre Andy diversas vezes. Além disso, em meio à crise da empresa, os cortes de orçamento vão primeiro para a revista de moda e Andy, com sua personalidade de achar que pode resolver tudo, vai tentar salvar a Runaway e mais uma vez conseguir aprovação da Miranda Priestly.

A narrativa da decadência do jornalismo e desconstrução do mito da Runaway, mostrando partes não tão glamurosas, sustentam O Diabo Veste Prada 2 ao ponto de ele não precisar se apoiar no original. Os personagens são trazidos com suas essências do primeiro filme: Andy Sachs um pouco ingênua, Nigel com sua lealdade e Emily com sua ambição. Miranda Priestly porém é retratada de forma diferente, não  tão durona quanto antes, agora ela policia suas atitudes e se submete a imposição de outras pessoas.

Apesar de Miranda aparecer mais “amolecida”, esse amadurecimento é importante para mostrar uma face mais humana da personagem. Esse é um dos melhores papéis da carreira da Meryl Streep, mais uma vez ela consegue trazer para a tela a multiplicidade da Miranda. Ao mesmo tempo que ela é durona e tem que ser para estar na posição de chefia, ela é humana e, principalmente, obcecada e apaixonada pelo que faz.

Com trilha sonora mais uma vez icônica, O Diabo Veste Prada 2 é uma ótima sequência. Relembra o primeiro filme com narrativa própria, looks icônicos e atuações impecáveis.

Lully Salvador

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Apaixonada por cinema, literatura e artes.

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