Belas Artes promove homenagem aos 80 anos de Rogério Sganzerla

Programação terá conversas online com especialistas e com sua filha Djin; cineasta catarinense completaria 80 anos em 4 de maio

Letícia Barros

Na segunda-feira, 4 de maio, Rogério Sganzerla completaria 80 anos. Considerado um dos maiores cineastas brasileiros, ele morreu em 2004, aos 57 anos, e deixou um legado de filmes marcantes, como O Bandido da Luz Vermelha (1968) e A Mulher de Todos (1969). Em sua homenagem, a Faculdade Belas Artes de São Paulo preparou uma semana especial de conversas com profissionais que conviveram e trabalharam com o cineasta e a exibição de algumas de suas obras. A programação iniciou na segunda-feira, em seu aniversário, e finaliza no domingo, com a exibição do filme Eclipse, produzido por sua filha, Djin Sganzerla.

Rogério nasceu em Joaçaba (SC), onde viveu até os 15 anos, quando se mudou para São Paulo. Em 1964, estava cursando Direito na Mackenzie, porém abandonou o curso ao ser convidado para ser crítico de cinema do “Suplemento Literário” do jornal O Estado de S. Paulo, publicação que foi um marco para a imprensa cultural brasileira de 1956 a 1974. Depois também foi redator do Jornal da Tarde, Última Hora, Folha da Tarde e da revista Visão.

Foi nessa época que Sganzerla dirigiu seu longa mais famoso, O Bandido da Luz Vermelha. A história é inspirada em um criminoso real que ganhou o mesmo apelido e aterrorizou a cidade de São Paulo nos anos 1960. Com ele, o diretor inaugura seu cinema udigrudi aos 22 anos. Esse movimento, também chamado de Cinema Marginal, tem raízes na contracultura e no protesto, e cresce em oposição ao Cinema Novo. “Sganzerla fez filmes que refletem o período histórico em que ele viveu no Brasil, ou seja, o regime militar, mas sempre em sintonia com o que acontecia lá fora. Era a recuperação da antropofagia de Oswald de Andrade num ritmo vertiginoso, com várias colagens e referências típicas de alguém que vivia e refletia o cinema e a cultura da época”, aponta Guilherme Bryan, coordenador da Graduação e Pós-Graduação em Cinema na Belas Artes e o responsável pela homenagem ao diretor. 

Bebendo em águas estrangeiras, mas com muito “brasileirismo”, o diretor produziu uma série de obras sobre Orson Welles: Nem tudo é verdade (1986), A Linguagem de Orson Welles (1990) e Tudo é Brasil (1997). Os dois primeiros integram a programação e serão exibidos na quinta-feira às 17 horas no Cineclube Belas Artes. 

Seu cinema, composto de muita experimentação e invenção, também teve outra grande inspiração: sua esposa e musa Helena Ignez. A atriz foi a estrela principal de diversos de seus filmes, entre eles Copacabana Mon Amour (1970) e A Mulher de Todos (1969). Juntos, tiveram duas filhas, Djin e Sinai Sganzerla. Ambas seguiram o caminho dos pais no cinema. Djin está no lançamento de seu filme Eclipse, que será exibido no domingo às 11h no Cineclube Belas Artes. Os ingressos saem por R$ 26,88 a inteira e R$ 13,44 a meia no site Velox Tickets, ou com preço promocional direto na bilheteria.

Sganzerla produziu seu último filme, Signo do Caos, em 2003, quando já estava doente. Pouco tempo depois, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, maior premiação do setor da cultura no Brasil, como reconhecimento por seu cinema transgressor e fundamental. Quando morreu em 2004, o então ministro da cultura Gilberto Gil disse: “A ousadia estética, o pulsar permanente de realidades brasileiras, além do olhar revelador de suas lentes, fez de Rogério Sganzerla um dos maiores cineastas do nosso tempo”.

Confira abaixo a programação completa da homenagem a Sganzerla pela Belas Artes. Serão conversas online, abertas ao público e com uma hora de duração que podem ser acessadas pelo link: https://us02web.zoom.us/j/87447975389?pwd=WVJXaENFbzUvL0pBZ3NGbENwUjlMUT09, com a senha: 396522.

Programação:

04/05 – 17h20 – zoom – Convidado Sérgio Medeiros

06/05 – 12h20 – zoom – Convidado Eduardo Tornaghi

06/05 – 17h20 –  zoom – Convidada Mariana de Moraes

07/05 – 12h20 – zoom – Convidada Nina de Pádua

07/05 – 13h – Cineclube Belas Artes, Sala Stadium Exibição de Nem Tudo é Verdade e A Linguagem de Orson Welles 

08/05 – 12h20 – zoom – Convidado Marcos Bonisson

10/05 – 11h –  Cineclube Belas Artes e zoom – Convidada Djin Sganzerla, com exibição do filme Eclipse

Letícia Barros

Estudante de Jornalismo da UFSC. Adoro conhecer histórias, cinema, música, política e moda.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *