Letícia Barros

Ao entrar na faculdade de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Zé Dassilva dizia que as duas áreas em que nunca trabalharia eram com TV e desenho, mas foi exatamente esse o caminho que seguiu. Zé virou um renomado chargista e roteirista e, por isso, foi o responsável pela primeira aula inaugural do ano do curso em que se formou. A aula ocorreu na Associação Catarinense de Imprensa no dia 31 de abril e teve os ingressos esgotados. Zé relembrou sua trajetória profissional e comentou o sucesso de Três Graças, novela em que é um dos três roteiristas, ao lado de Aguinaldo Silva e Virgílio Silva.
Aos 24 anos, Zé iniciou sua trajetória como chargista no Diário Catarinense, onde publicou trabalhos diariamente por muitos anos, e só parou no ano passado. Paralelamente, também construiu carreira como roteirista. Seu envolvimento com a área começou quando tinha 26 anos e se inscreveu em um concurso de roteiristas de humor promovido pela Globo. De 1600 inscritos foi um dos 20 selecionados para um treinamento. Porém, ser bom não era o suficiente, tinha que saber escrever bem, ser rápido e trabalhar em equipe. “Muitas vezes a pessoa tem uma ideia boa, mas ela tem apenas uma ideia boa por ano. Na televisão e no jornalismo, a gente tem que ter sempre bastante ideia, o dia inteiro, todos os dias, independente do que for”, diz.
A partir desse concurso, foi contratado. Está há 26 anos na TV Globo, onde já passou por diversas áreas. Começou nos programas de humor, Casseta e Planeta e Sai de Baixo, foi para o Linha Direta, programa que tratava os crimes marcantes do Brasil, e fez quatro edições de Malhação. Linha Direta o ajudou a aperfeiçoar a escrita de drama e suspense. Para Zé, é importante saber todos os estilos para escrever novelas, mas também ter experiência na “rua”, conhecendo as pessoas e os diferentes arquétipos, pois as histórias vão se repetindo. Ao recontar sua trajetória na emissora comenta rindo, “totalmente incoerente a carreira do cara”.
O jornalista mergulhou de fato no mundo das novelas a partir de um convite de Aguinaldo Silva para fazer parte da equipe de Império. Topou e foi um sucesso, Império ganhou um Emmy de melhor novela mundial em 2015. Depois disso, ele fez três novelas das 19 horas e três das 21 horas, Império, Mania de Você e a atual Três Graças, que vem fazendo um grande sucesso.
Ao lado de Aguinaldo Silva e Virgílio Silva, os três Silvas ganharam o prêmio de melhor novela por Três Graças no Melhores do Ano 2025, prêmio da Globo que aconteceu em 29 de março. Parte da trama que contribui para esse sucesso é o casal “Loquinha”, formado por Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky). A representatividade sáfica da novela fez sucesso internacional, com comentários de pessoas de diversos países no X (antigo Twitter) afirmando terem assinado a Globoplay só para acompanhar o casal. “As pessoas estão se sentindo representadas, isso é bacana. Acho que a gente simplesmente conta a história delas. Quando você mostra elas ali vivendo e sendo felizes, já vai abrindo o caminho [para a representatividade]”, afirma Zé. Devido a fama internacional, o casal Loquinha ganhou uma “novelinha” vertical, modelo de novela curta voltado para as redes sociais, que estreou ontem, seis de abril, nos perfis da TV Globo.
O roteiro das novelas vai mudando à medida que as coisas vão acontecendo, Lorena e Juquinha, por exemplo, inicialmente não iam ficar juntas. A escrita se altera ou não a partir também da reação do público. Zé conta que sua inspiração para criar os enredos vem de várias coisas que vai vivendo ao longo do tempo. Uma cena de Três Graças que escreveu recentemente foi inspirada em um filme que assistiu na faculdade, por exemplo. Como roteirista, seu toque pessoal é sempre colocar alguma referência ao Criciúma, seu time do coração, nas novelas que escreve.
Três Graças se encaminha para a fase final e é em Floripa que Zé Dassilva está escrevendo os últimos capítulos. O roteirista aproveitou a vinda para a aula magna para estender a viagem e finalizar a escrita.






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